Na busca por ambientes agradáveis e estimulantes, os escritórios de médias e grandes empresas apostam em uma arquitetura cujas premissas se baseiam em conforto ambiental, ergonomia e flexibilidade de uso.

Embora as empresas possuam filosofia, missão e identidade visual distintas, todas buscam por lucratividade e, conseqüentemente, por produtividade. Como muitos estudos afirmam, a produtividade da empresa está diretamente relacionada à satisfação do funcionário e, sendo assim, o investimento em um ambiente de trabalho adequado é algo que tem se tornado cada vez mais frequente. Os espaços de trabalho foram repensados, além da criação ambientes de descanso, convivência e refeições, para apreciação e uso dos colaboradores.


Escritórios da Dropbox em São Francisco e da Spotify em Nova York, com ambientes de descanso integrados aos espaços de trabalho.

O conforto do ambiente é um dos fatores primordiais ao se projetar um espaço corporativo e refere-se ao conforto lumínico, térmico e acústico. "Costumo afirmar que um bom projeto de iluminação parte da criação de um espaço que permite a utilização da iluminação natural e artificial de forma complementar, permitindo que a segunda alcance qualidade semelhante à primeira. O controle ideal dessas fontes de iluminação é que trará conforto ao usuário", explica a arquiteta Vanessa Spina, proprietária do escritório Traço D Arquitetura e Urbanismo. "Ao trabalharmos a arquitetura de um espaço corporativo é necessário priorizar o conforto e analisar os demais fatores, tanto os comuns a todas as empresas, quanto aqueles particulares de cada empresa, como fluxos, quantidade de funcionários e demandas espaciais", completa.


Escritório da sede do CAU - Uberlândia, onde a iluminação artificial se comporta de forma complementar à iluminação natural. O projeto de layout, desenvolvido pelo Traço D Arquitetura e Urbanismo, conta ainda com o cuidado de posicionar as estações de trabalho de forma diagonal à fonte de luz natural, de forma a garantir o conforto dos colaboradores.

A flexibilidade do espaço é outro fator priorizado pelas empresas. Como suas necessidades podem sofrer alterações ao longo dos anos, conforme as mudanças no sistema, tecnologias, estrutura da empresa ou exigências momentâneas, criar espaços que acompanhem essas mudanças é primordial. "Os espaços corporativos têm ganhado ambientes abertos, como salões livres, onde o próprio mobiliário dita e demarca o posicionamento dos funcionários. Quando se faz necessária a criação de ambientes fechados e privativos, o uso de divisórias facilmente removíveis é a escolha encontrada", afirma a arquiteta Maria Fernanda Zumpano, também proprietária do escritório.


Sede da Amcham - Brasil em Uberlândia, com layout desenvolvido pelo Traço D Arquitetura e Urbanismo, que apostou no espaço de trabalho livre de divisões. A separação entre a sala do staff e do coordenador é feita através de divisória em vidro, permitindo o contato visual constante. O auditório é delimitado por divisórias móveis, garantindo a flexibilidade do ambiente.

Espaços abertos pedem um cuidado especial relativo à acústica do ambiente. "É importante trabalhar com revestimentos que absorvam parte do ruído emitido e evitem a sobreposição de sons, trazendo conforto acústico ao ambiente de trabalho. Além disso, como esses espaços contam com uma grande amplitude, outro artifício é usar de forros acústicos que contribuam com a absorção do som. Já para os ambientes que exigem confinamento, como salas de reunião ou diretoria, o isolamento do ambiente é a prioridade. É importante usar de materiais isolantes para evitar que ruídos externos afetem a audibilidade do som produzido internamente ou o que o contrário também ocorra", comenta Maria Fernanda.


Sede da Idea Zarvos desenvolvida pelo escritório SuperLimão Studio, onde o forro foi pensado em um grid de perfis metálicos com espaços vazios e outros preenchidos por espumas para absorção acústica. Além do piso de madeira e algumas áreas demarcadas por carpetes, ambos materiais com alta absorção de ruídos.

No entanto, a possibilidade de flexibilizar o espaço deve ir além do mobiliário. Este, por sua vez, carrega uma função cada vez mais ergonômica para trazer conforto ao usuário. Por vezes, via-se uma hierarquia de mobiliário conforme o cargo do funcionário mas, atualmente, essa característica não é evidente. Passou-se a priorizar a disposição do mobiliário conforme os materiais e componentes que são manuseados pelo funcionário. “Em um escritório de engenharia e arquitetura, por exemplo, as mesas grandes não são prioridade dos diretores, mas daqueles que necessitem trabalhar com análise e manuseio de folhas de projeto”, destaca Vanessa. “O mobiliário é facilmente alterado quando se propõe setores integrados em um ambiente empresarial, no entanto, é importante prever que algumas instalações como divisórias e pontos elétricos possam ser facilmente alterados. Uma opção para solucionar esta questão é trabalhar uma construção com piso elevado, usando o vão para abrigo da instalação elétrica. Assim, o acesso e alteração de pontos é menos drástico do que em instalações embutidas na alvenaria convencional”, completa a arquiteta.


À esquerda, imagem ilustrativa de um ambiente corporativo com as instalações sobre o forro e sob piso elevado e, à direita, a sede do escritório de publicidade londrino 18 Feet e Rising, onde as instalações são aparentes e fazem parte da composição do ambiente.

A arquitetura de um espaço corporativo exige trabalhar com questões técnicas básicas, já citadas. No entanto, usar de certos diferenciais trará mais imponência e destaque para a edificação e, por sua vez, para a empresa ali locada. No entanto, esta imponência não deve esbarrar nas questões técnicas iminentes. “Um material muito utilizado em edifícios comerciais é o vidro. Usa-se de grandes painéis de vidro para garantir destaque à construção, no entanto, esse vidro recebe raios solares que se convertem em calor e causam desconforto no interior do prédio. Consequentemente, o ar condicionado surge como uma solução para o problema, mas que vai em contra mão à prioridade atual em se pensar uma arquitetura sustentável e auto suficiente”, observa a Maria Fernanda. “O vidro também é um material altamente reflexivo, o que afeta o conforto acústico do ambiente”.


Sede da Construtora Marca Registrada, idealizada pelo Traço D Arquitetura e Urbanismo, onde os panos de vidro da fachada foram substituídos por placas fotovoltaicas responsáveis pela produção de toda a energia utilizada pelo escritório. Além da utilização de um grande painel metálico com um jardim vertical para a proteção das aberturas voltadas para a fachada Norte, garantindo o conforto de forma sustentável.

A sustentabilidade, neste caso, além do seu caráter benéfico ao meio ambiente é um interessante investimento para edifícios corporativos, reduz custos da sede e aumenta a lucratividade. “Pode-se usar de artifícios como o reuso de água, paredes verdes, painéis fotovoltaicos e até mesmo trabalhar com materiais aliados da construção seca. Todos esses fatores devem ser pensados a priori pelo arquiteto, no momento da concepção do projeto”, finaliza Vanessa.

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